"Guarda o teu pé, quando entrares na casa de Deus; porque chegar-se para ouvir é melhor do que oferecer sacrifícios de tolos, pois não sabem que fazem mal." Eclesiastes 5.1.
CELULARES E TABLETS NAS IGREJAS EVANGÉLICAS
Com o acesso à tecnologias
portáteis (celulares, tabletes), as pessoas se sentiram mais autônomas e livres
para fotografar, gravar, acessar conteúdos, inclusive bíblicos. Hoje, muita
gente acessa os hinários do culto e a própria Bíblia através dos celulares, nos
cultos. Tal fenômeno tem incomodado muitos conservadores que criticam a troca
da Bíblia por aparelhos celulares.
Sobre isso, podemos
faze algumas perguntas: É correto usar celular para acessar os conteúdos
bíblicos? É desrespeitoso, durante o culto, as pessoas filmarem, fotografarem?
Bem, antes de responder a essas perguntas faço algumas reflexões:
- A CULTURA MUDA COM O TEMPO E
AS PESSOAS ABRAÇAM AS NOVAS TECNOLOGIAS.
- A TECNOLOGIA TAMBÉM CHEGOU À
RELIGIÃO, ASSIM, É IMPOSSÍVEL IMPEDIR QUE OS RELIGIOSOS ACESSEM A BÍBLIA
PELO CELULAR.
- NÓS USAMOS A BÍBLIA, NAS
IGREJAS, NEM POR ISSO É SÁBIO LEVARMOS REVISTAS PARA FOLHEARMOS, NO CULTO,
ISSO PORQUE O CULTO TEM O CARÁTER DE SAGRADO.
- SOBRE A TECNOLOGIA PRECISAMOS
SABER QUE ELA PODE VICIAR O CÉREBRO, A TAL PONTO QUE A PESSOA NÃO CONSEGUE
DISTINGUIR EM QUAL LOCAL DEVE, POR EXEMPLO, USAR SEU CELULAR, SEU
COMPUTADOR, SEU TABLET. ASSIM, AS PESSOAS QUE USAM ESSES EQUIPAMENTOS NAS
IGREJAS, NA ESCOLA, NO TRABALHO, ETC, PODEM ESTAR VICIADAS, PRESAS, E ELAS
NÃO SE APERCEBERAM DISSO.
PROBLEMAS NO USO DOS CELULARES E
TABLETS NAS IGREJAS – Aqueles que
defendem o uso de celulares nas igrejas, se baseiam na praticidade, na
modernidade, e dizem que não há nada de mal nisso. Porém há alguns problemas,
nisso, a saber:
1
A DESVALORIZAÇÃO DA BÍBLIA - Celulares, tabletes, são
aparelhos de comunicação, e, hoje, principalmente de interatividade e diversão.
Não é algo sagrado. O conteúdo bíblico está nos aparelhos em forma de arquivo,
assim, um celular não se assemelha, em nada, à Bíblia Sagrada. Quando os
adolescentes e as crianças veem seus pais e
pastores usando tabletes e celulares nas igrejas, eles aprendem, na
prática, que a Bíblia não tem mais valor, que um aparelho tecnológico é o
mediador entre eles e Deus, no culto. A longo prazo o efeito é devastador pois
teremos uma geração que desaprendeu ler a Bíblia, que não valoriza o livro
sagrado.
2
FALTA DE LIMITES- Quando não se tem um referencial,
um limite, as pessoas tendem a passar dos limites. Isso acontece,
principalmente entre adolescentes e jovens, que sem referencial, não conseguem
distinguir entre o certo e o errado. É por isso que hoje é comum ver, nos
culto, muita gente acessando redes sociais, internet, mandando mensagem. Por
mais que se fale sobre o respeito no culto, não adianta, as pessoas estão
usando aparelhos de entretenimento (que têm jogos, cores, sons) e de
comunicação, e o uso deles no culto em larga escala faz com que os limites sejam ultrapassados, facilmente,
especialmente pelos adolescentes e jovens que não conseguem transitar no meio
tecnológico sabiamente.
3
A ATENÇÃO PREJUDICADA - Se alguém quer chamar a atenção do público para uma
mensagem central, ELE NÃO PODE ENVIAR OUTRA MENSAGEM CONCORRENTE PARA
O PÚBLICO, POIS, NESSE CASO, AS PESSOAS NÃO DISTINGUIRÃO, NO CÉREBRO, QUAL É A
MENSAGEM CENTRAL. Isso quer dizer que toda mensagem que é enviada
juntamente com uma principal, ela compete também por atenção, se não fosse
assim não haveria sentido enviá-la. Diante disso as pessoas precisam decidir em
que querem prestar atenção: se na Pregação da Palavra, na mensagem dos hinos, no
culto ou no acesso aos celulares, nas fotografias e filmagens. É muito difícil entender o que Deus fala, no
culto, se a atenção está no ato de filmar, de fotografar, etc.
REVERÊNCIA NA CASA DE DEUS - Eclesiastes 5.1, que diz, enfaticamente: "Guarda
o teu pé, quando entrares na casa de Deus; porque chegar-se para ouvir é melhor
do que oferecer sacrifícios de tolos, pois não sabem que fazem mal." “guardar
o pé” nesse texto significa:
- Atitude
de reverência na casa de Deus.
-
"Não se dedicar a ouvir, aprender no culto, é atitude de tolo".
- Atitude
de irreverência no culto faz mal, para o irreverente, para quem está perto, e
para a futura geração que crescerá sem um referencial.
UMA CONCILIAÇÃO POSSÍVEL - Diante do que foi dito precisamos achar um
equilíbrio, que deve ser o uso das tecnologias sem a desvalorização da Bíblia e
sem o desrespeito ao culto. Segue, abaixo, alguns pensamentos:
1 – As regras no uso dos aparelhos
tecnológicos devem começar em casa. Não é aconselhável que crianças de 6, 7,8
anos use esses aparelhos, tenham páginas em redes sociais, etc. O Facebook
exige que a pessoa tenha no mínimo 13 anos para ter uma página em seu site.
Isso é para evitar problemas que vão desde assédio até à falta de concentração.
Essa regra da idade pode ser aplicada, também, na igreja. Não é aconselhável
que o grupo das crianças use celulares, tabletes, nos culto pelos motivos já
apresentados nesse texto.
2 – A leitura da Bíblia tradicional
deve ser ensinada e incentivada para crianças e adolescentes, em todos os
cultos, e principalmente em casa. Eles devem ser ensinados a diferenciar o
celular (aparelho de diversão e comunicação), da Bíblia, o livro sagrado, no
sentido de valorizarem o livro sagrado.
3 – O acesso à internet, às redes
sociais deve ser veementemente combatido pela liderança da igreja. O culto é um
momento solene e sagrado dedicado a Deus.
4
– O ato de fotografar, filmar também deve ser desincentivado. Muita gente
fotografando e filmando no culto tira a atenção, e as próprias pessoas deixam
de cultuar para se concentrarem em seus registros deixando, assim, de serem
adoradores para serem meros expectadores. Para minimizar isso a igreja pode ter
seu fotógrafo e cinegrafista oficiais.
Concluo dizendo que o culto é um
serviço espiritual prestado a Deus, e exige desprendimento, humilhação, atenção
para entender as mensagens passadas pelos hinos, testemunhos e pela pregação.
Usar celular para fotografar, filmar, faz com que a pessoa deixe de ser alguém
que preta um culto para tornar-se em um fotógrafo, um filmador, etc, menos um
adorador.
João Moreno de Souza Filho é Bacharel em Teologia,
professor de Teologia, Escritor de livros teológicos e filosóficos,
Psicopedagogo Institucional, Jornalista, Mestrando em Educação Profissional.

















